Universo das mamaes

Muito se fala das criancas que sofrem de bulling na escola, nos parques, no clube, como elas sofrem, como se sentem diminuidas e fragilizadas, porem e quando o caso e ao contrario, quando e o nosso filho/a a causar a dor em outra crianca, o que fazer nesta hora?

A primeira imagem que vem na nossa mente sobre a crianca que comete o bullying e aquele menino grande no parquinho que vive atazanando os menores, tirando vantagem do seu tamanho ou aquela crianca que tem problemas em casa e vive descontando nos outros. E dificil de imaginar que o nosso pequeno/a  seria capaz de fazer tal coisa e doloroso ate, aceitar que ele/a possa ser um bully, mas, a verdade e que qualquer crianca pode se tornar um.

Bater, empurrar, insultar ou ate mesmo atraves de msn, emails ou em redes sociais, qualquer crianca pode se tornar um bully dependendo da oportunidade e circunstancias.

Segue algumas dicas para ajudar no caso do seu filho/a esta sendo um/a bully:

  • Entenda a situacao antes de tomar qualquer atitude:  Aconteceu algo diferente que esta tornando o seu filho/a mais agitado e nervoso? Sera uma atitude em relacao a alguem que vem lhe perturbando?  Converse com amigos e na escola para tentar entender o que se passou e obter mais informacoes.
  • Tenha uma conversa sobre bulling e as suas consequencias: Hoje em dia e um assunto abordado abertamente, mas, nao assuma que seu filho/a sabe o que e e entenda perfertamente que esta se portando como um.
  • Ensine o valor da simpatia em relacao aos outros: Sentimentos como simpatia pela dor alheia e muito importante. Quando a crianca se poe no lugar da outra, tentando sentir a sua dor por ser excluido, machucado fisicamente ou ignorado, ela tem menos chance de se tornar agressiva em relacao aos outros.
  • Faca a crianca se responsabilizar pelos seus atos: Mesmo que a desculpa seja que nao tinha culpa, que so estava copiando os outros do grupo, ou sendo pressionada a agir de tal maneira, por exemplo,  e fundamental que a crianca entenda o que a sua atitude pode ter causado em outra crianca e que nao ha justificativa nenhuma para o bullying. Faca a crianca entender que o que fez nao e correto, admitir o erro se possivel, se desculpar verdadeiramente com a vitima.
  • De exemplo: A maneira como voce se comporta e a sua atitude sera uma reflexao nas atitudes do seu filho/a.  Como voce se comporta em relacao aos outros, os trata com respeito mesmo que nao concorde com eles? Voce tem uma atitude de compaixao com os problemas alheios?  Se voce for uma pessoa que tem respeito pelo proximo, menos chance tera o seu filho/a de se tornar agressivo.
  • Considere buscar ajuda psicologica: Se o seu filho/a mesmo assim ainda tiver dificuldades em lidar com a sua raiva e agressividade e so se sentir melhor descontando nos outros, entao  ajuda psicologica  sera uma boa opcao. Eles poderao comecar ensinando a crianca como se relacionar com outras de uma maneira mais gentil e positiva.

 

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Mais uma mamae vem fazer parte das nossas entrevistas e dividir um pouco da sua experiencia. Este mes e a vez da Karen, que mora na Polonia e esta criando um brasileirinho na terra de Chopin.

Fale brevemente sobre voce e o que a levou a morar no pais onde esta:

Meu nome é Karen Martins, tenho 37 anos, sou de São Paulo do bairro do Jaçanã.  Sou fonoaudióloga formada pela PUC/SP, com especialização em Disfagia e tenho paixão em estar com pessoas que têm necessidades especiais.

Vivo na Polônia há 3 anos com meu marido brasileiro, filho e cachorrinho Juscelino. Porque na Polônia? Por que meu marido foi convidado a criar e dirigir um projeto em uma empresa em Cracóvia.

Resolvemos mudar nossas vidas pensando numa educação diferente para o Matheus, nosso filho que hoje tem 6 anos. Viver fora, com a oportunidade de ter a cultura brasileira como a base da família, e a mistura de outras sempre nos agradou. Porém foi uma escolha muito delicada, mais ainda porque ficaríamos longe dos meus pais, que semprenos ajudavam com sua presença amiga. Quando chegamos na Polônia, meu filho não tinha 3 anos ainda, e falava muito pouco o português. Nós o matriculamos em uma escolinha particular da cidade para que tivesse o rico contato com a língua local, e para que se divertisse, brincasse, pois onde morávamos não havia pessoinhas da idade dele.

Quantos filhos tem e qual a idade deles?

Um menino de 6 anos.

Como e ser uma mamae brasileira no pais onde mora? Aponte semelhancas e diferencas se comparado a mamaes locais.

Ser uma mãe sempre me ajudou no processo de adaptação da nossa família, pois sempre fui tagarela e amistosa, e isso facilitou a interação do meu filho com os poloneses, já que ele no início era muito calado, tímido até. E ser brasileira despertou sempre a curiosidade das pessoas, elas se aproximavam e perguntavam de tudo, das coisas mais complexas a dúvidas simples.

As pessoas são simpáticas por aqui, às vezes sorriem pouco, mas eu sorriu por elas e por mim também. As mães são cautelosas e acabam superprotegendo às vezes seus filhos, mas no geral são atentas.

Na escola, os pais são participativos, brigam por tudo o que acham correto para seus filhos, e às vezes isso para mim é um tanto exagerado. Digo isso porque em alguns momentos o discurso é muito exaltado, beira a gritaria. Gritar com o professor é prá mim algo não permitido. Apesar de engraçado, acabo me estressando com isso.

Acredito que vou vivenciar novas situações, porque meu filho em setembro irá para a 1ª série, e será alfabetizado em uma escola polonesa. Hoje em dia as professoras são atenciosas e sérias com meu menino, mas o fato dele ser um brasileirinho as encantam. No dia das vovós e vovôs, meus pais prestigiaram as celebrações via Skype, e isso foi muito emocionante tanto para meu filho, quanto para as professoras. Foi um verdadeiro acontecimento na escola.

Com quantos anos a crianca comeca a escola e qual o horario escolar? A crianca come na escola ou leva lancheira de casa? Escola particular ou publica?

Na Polônia as crianças frequentam a escola como no Brasil, desde os três anos, porém vejo muitas famílias optando pelo trabalho de babás até a criança atingir os 5 anos mais ou menos. Este trabalho é muito utilizado e as pessoas confiam nas mesmas. Como sempre tivemos a intenção de integrar meu menino aos poloneses, ele frequentou a escola desde que chegamos. Nos dois primeiros anos foi uma escola particular em Cracóvia, mas agora que nos mudamos de cidade, moramos em Wroclavia, optamos pela escola pública.

A escola pública deve ser sempre procurada nos meses de março para inscrever a criança, e mesmo sendo pública ele é paga. Paga-se uma porcentagem por meio dia e extra pelo tempo que a criança fica depois das 12:00. A alimentação é inclusa e isso sempre me deixou muito satisfeita, pois aprecio muito a culinária daqui.

Meu filho frequenta com muita alegria a escola das 08:00 até às 16:00, e pagamos por atividades extra-curriculares.

Voce trabalha ou e mamae em tempo integral?  Voce tem empregada/diarista – como e a sua rotina emprego/escola/casa?

Enquanto meu filho está na escola eu dou aulas de português para poloneses em casa e em escolas da cidade. Isso me preencheu uma vazio que ficou quando parei de ser terapeuta no Brasil dias antes de nos mudarmos. Sou uma boa fonoaudióloga ajudando os meus alunos a ter o nosso sotaque, e ainda de quebra meu filho fica muito envolvido em ensinar a sua língua também.

Tenho meu tempo para organizar a vidinha do meu menino, para tentar manter a casa arrumada e viver minha história de amor com meu marido. A vida da gente não é fácil, mas nos divertimos muito mais do que antes. Somos mais próximos.

Que lingua e falada na sua casa, no caso do seu marido nao ser brasileiro?

Em casa a língua é o português, mas quando recebemos amigos a história muda e meu filho percebe a mudança e tenta nos seguir. Como temos amigos de vários lugares, o inglês, o espanhol e o polonês são sempre escutados por aqui.

O/s seu/s filho/s falam portugues? Como voce passa a cultura brasileira e a lingua para os seu/s filho/s?

Adoramos ler livros juntos, assistir desenhos e filmes em português. O Matheus se diverte com vários personagens do imaginário infantil, em especial o Saci Pererê do Sítio do Picapau Amarelo. Tudo o que é do Brasil o encanta, os índios, os animais, as florestas e as músicas. Então, a gente fala, canta, dança e brinca em português.

Como sao comemorados os aniversarios infantis no pais onde mora?  Voce celebra o dos seus filhos “a brasileira”?

Quando acontece o aniversário do Matheus, a gente envia um bolo para a escola dele e isso o deixa muito feliz, porque todo mundo o abraça e canta “Sto Lat”(parabéns a você daqui) para ele. Em casa fazemos um bolo, com alguns balões, brigadeiros, velinhas e muita bagunça. Não é como seria na casa da avó em São Paulo por exemplo, porque sinto falta das famílias aqui se misturando, interagindo como acontece no Brasil.

Como voce lida com a falta da familia por perto ( pelo menos da sua parte se nao tiver ninguem)? Com que frequencia voce leva os seus filhos ao Brasil?

A saudade de minha família sempre machucou muito meu filho, que vê seus amiguinhos com os avós, os tios. Infelizmente ele não tem. Mas temos alguns bons amigos que o enchem de carinho quando o encontram, e isso diminui a sua carência. Planejamos ir agora ao Brasil depois de tanto tempo, e acredito que será um grande choque prá todo mundo. Quando saimos de lá, meu Matheus não falava, era muito quieto. Hoje, ele fala por todo mundo, é encantador e divertido. Isso vai surpreender lá em casa.

Voce cozinha culinaria brasileira? Que tipo de pratos voce faz em casa para a familia? Voce encontra ingredientes como por exemplo, polvilho, para fazer pao de queijo, aonde mora?

Por aqui a saudade da comida brasileira é constante porque não cozinho com frequencia. Pão de queijo é uma iguaria difícil de ter, mas feijão com arroz é prato certo na mesa.

Voce faz parte de alguma comunidade (onde mora) de mamaes brasileiras que se reunem para comemorar datas e passar a cultura brasileira e lingua portuguesa para as criancas?

Aqui não conheço nenhuma mãe brasileira, e isso me deixa muito sozinha, mas eu me misturo com as polonesas e logo fico bem. Tenho uma amiga querida que é de Portugal, e seu filho é um amiguinho do meu Matheus, e mesmo com sotaques diferentes comunicam-se perfeitamente.

Por favor, deixe uma mensagem para as outras mamaes que tambem estao criando brasileirinhos mundo afora.

Não nos arrependemos em momento algum por ter decidido viver em outro país. Encaramos isso como uma emocionante aventura onde, graças a Deus, pudemos optar por construir amigos e enriquecer a cultura da nossa família.
Medo temos até hoje, mas isso nunca nos impediu de nada. Sentimos falta de mais famílias brasileiras, porque conhecemos vários pessoas sem filhos e isso cria uma relação diferente entre nós. Mas mesmo assim, seguimos muito
confiantes num futuro melhor para nossa família brasileira.

Querida Karen, muitissimo obrigada pela franca entrevista. Coragem e um fator primordial em caso da familia mudar de pais como no seu caso, mas, acredito que no final tudo valha a pena, e sempre enriquecedor, nao so para as criancas, mas, tambem para os pais. Um dia quando chegar a hora e voces voltarem ao Brasil, serao pessoas com muito mais conhecimento de outras culturas e tambem  voces e o pequeno Matheus poderao contar no seus curriculos que dominam a lingua polonesa. Parabens pela coragem e atitude positiva!

 

 

 

 

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