
Outra mamae vem compartilhar a sua experiencia conosco. Desta vez nos vamos ficar sabendo como e criar brasileirinhos na terra do sol nascente, ou seja, o Japao. A Carmen que conta a sua estoria, para quem nao conhece, foi a representante do Movimento Brasileirinhos Apatridas no Japao e tambem faz parte do conselho em luta pelo Estado dos Emigrantes.
Fale brevemente sobre voce e o que a levou a morar no pais aonde esta:
Moro no Japão há quase 19 anos. Vim pra cá com pouco tempo de casada (meu marido é brasileiro e nikkei), e viemos pro Japão numa época em que os brasileiros nikkeis lotavam aviões pra servirem de mão de obra para o país.
Saimos do Brasil logo depois do Plano Collor. Não viamos futuro ficar no Brasil do jeito que a economia brasileira estava.
Quantos filhos tem e qual a idade deles?
Tenho 3 filhos. A mais velha, a Carina nasceu no Brasil, e ela veio pro Japão quando tinha um pouco mais de 1 ano de idade. Agora ela vai fazer 20 anos. Minha filha do meio, a Isabela nasceu aqui, e tem 14 anos. Já o caçulinha, o Hiroshi tem 8 anos, e nasceu no Japão tambem.
As mães japonesas não são como as brasileiras: amorosas.
Elas não beijam seus filhos, pouco abraçam, e estão sempre nos extremos: ou muito rigidas ou não dão limite algum aos filhos. Muitas delegam a educação ao professor, deixam tudo da educação para o papel da escola, o que considero um absurdo.
Com quantos anos a crianca comeca a escola e qual o horario escolar? A crianca come na escola, leva lancheira de casa? Escola particular, publica?
A escola que a criança vai é conforme a localização da sua residência.
Ou seja já é determinado qual a escola que vai receber as crianças de tais e tais bairros.
O horario é das 8hs da manhã até as 15hs (em média), nos dois primeiros anos há um pouco menos de materias, então saem mais cedo que os outros alunos.
Todos almoçam na escola.
A comida é trazida de fora (feita em um lugar especial), e servida pelos proprios alunos em revezamento de grupos responsáveis.
A escola é pública.
Não há escolas particulares nesse nível escolar.
Não há reprovação. Mesmo que a criança tenha ido mal durante o ano nas materias e testes, ela passa de ano.
Se você quiser uma escola particular há as escolas estrangeiras (há varias escolas brasileiras aqui que tem a aprovação do MEC).
Na setima serie a criança muda de escola (Tyugakkô), equivaleria ao ginasio do Brasil. São mais 3 anos.
Continua sendo uma escola pública.
E novamente a escola que a criança vai frequentar é conforme a localização da residência dela.
A refeição é feita na escola, e da mesma forma que nos níveis anteriores.
A comida vem de fora, e os alunos que servem.
Depois desses 3 anos, o aluno faz testes, entrevistas para entrar na escola correspondente ao colegial do Brasil. É bem rigido o “vestibular”, principalmente se a escola na qual o aluno quer continuar os estudos for uma escola pública (que são as melhores e mais concorridas).
Então o adolescente entra no chamado Koukou.
Que pode ser uma escola profissionalizante, ou apenas preparatória para a Faculdade.
Por alguns anos fui mãe em tempo integral, principalmente nos tempos em que fiquei grávida e até meus filhos terem idade pra frequentar uma creche.
Não tenho empregada, isso não existe no Japão. Nem mesmo uma diarista. Faço tudo sozinha, ou melhor não faço tudo. Minha vida tem sido uma correria, estou fazendo horas extras na fábrica, então me sobra bem pouco tempo pra casa.
Meu filho mais novo depois da escola vai para a casa de uma amiga. Ela cuida dele até a hora de eu voltar do serviço. Minha filha mais velha está na faculdade na cidade vizinha, e volta tarde de lá. E minha filha do meio também chega tarde da escola.
Mas apesar da correria temos o final de semana para o descanso e dar atenção às crianças.
Aqui na nossa cidade, somos em cerca de 12.000 brasileiros. Então a quantidade de lojas de produtos brasileiros é grande. Temos uma farta e diversificada variedade de produtos tanto vindos do Brasil, quanto plantados aqui com destino à nossa comunidade brasileira.
A todas, meu muitissimo obrigada!
Obrigada Ann, pelo espaço no seu blog!!
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Muito legal a entrevista com a Carmem. Essa sorte de ter os parentes por perto eu nao tive e acredito que muitos problemas nem chegaram porque todos ou uma grande parte da familia estavam juntos. Muito legal.
Vou lá depois conhecer o blog dela. Agora estou indo buscar a Vivi da escolinha.
Beijao
Nossa, a Carmen e’ muito forte. Criou tres e ainda trabalhando. Eu trabalho, estudo e tenho dois filhos e ja estou de lingua de fora. Parabens Carmen, super maezona !